
Os israelenses vão às urnas nesta terça-feira (27) para uma eleição considerada uma das mais importantes da história recente do país. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenta conquistar seu sétimo mandato, enfrentando uma disputa acirrada com o ex-chefe militar Gadi Eisenkot, líder do recém-criado partido Yashar.
Pesquisas divulgadas na última semana indicam que nenhum dos principais blocos deve alcançar as 61 cadeiras necessárias para formar maioria no Parlamento israelense, composto por 120 integrantes. Como o sistema político de Israel exige a formação de coalizões, o resultado poderá provocar semanas ou meses de negociações. A votação também representa uma avaliação popular sobre o governo Netanyahu, especialmente após os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixaram cerca de 1.200 mortos e 251 reféns. A oposição responsabiliza o premiê por falhas de segurança e defende uma investigação independente, rejeitada por Netanyahu sob o argumento de que seria tendenciosa. Em resposta, o primeiro-ministro destaca suas ações militares, a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua imagem de defensor da segurança nacional.
A oposição é liderada por Eisenkot, que integra o chamado bloco da mudança, formado por políticos de diferentes orientações ideológicas, incluindo o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, Avigdor Lieberman e o ex-general de esquerda Yair Golan. Netanyahu, que ocupou o cargo pela primeira vez em 1996 e retornou ao poder em 2022 para seu sexto mandato, depende do apoio de partidos de extrema-direita e ultraortodoxos para manter a atual coalizão, considerada a mais à direita da história de Israel.
A guerra na Faixa de Gaza também ocupa posição central na disputa eleitoral. Desde os ataques de outubro de 2023, mais de 74 mil palestinos morreram no território, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, cujos dados são considerados confiáveis pela Organização das Nações Unidas (ONU). Mesmo após o cessar-fogo firmado em 2025, Israel continuou realizando ataques quase diários, alegando combater integrantes do Hamas, enquanto enfrenta condenações internacionais e desgaste nas relações diplomáticas.
A eleição também registra uma mobilização expressiva, com cerca de 70 mil israelenses retornando do exterior para votar e aproximadamente 500 mil pessoas participando pela primeira vez. Centenas de milhares de militares e reservistas também participam da votação, mas parte desses votos começará a ser contabilizada apenas na quarta-feira (28), podendo favorecer partidos de direita.






