Na hora de comprar um carro usado, o brasileiro vira investigador particular. Olha documento, histórico, procedência, quem eram os antigos donos, quantas vezes bateu, quem maquiou, quem está empurrando o negócio e, principalmente, se o vendedor passa confiança ou conversa demais.
Na política deveria ser igual. Mas nem sempre é.
Aqui no RN o cenário é o seguinte: de um lado, tem o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra. Jovem, forte nas redes sociais, mestre em vídeo bonito, drone, trilha emocionante e edição cinematográfica. Mas junto com o marketing também vieram questionamentos, denúncias, investigações policiais, críticas sobre gastos milionários com comunicação e alianças políticas curiosas para quem vende a imagem de “novo” e “popular”. Tem gente que olha e pensa: “o carro tá brilhando demais… será que já passou por lanternagem?”… o anúncio diz “nunca viu praia”.
Do outro lado, aparece Cadu Xavier, o Cadu de Lula. Técnico, perfil discreto, sem personagem montado, sem fantasia de salvador da pátria. Carrega a imagem de quem entende de gestão, contas públicas e planejamento. Não é o vendedor que chega acelerando motor e prometendo milagre. É mais o tipo que abre o capô, mostra o manual e explica o consumo. Pode não viralizar no TikTok, mas também não vive cercado de fumaça saindo do motor. O carro aí é original, sem adulteração do odômetro e com todos os carimbos das revisões na concessionária. Anúncio discreto.
E no terceiro canto está Álvaro Dias. Político experiente, conhecido, já rodou bastante: quilometragem alta demais, desgaste acumulado e um modelo que já passou por muitas mãos da velha política. Mesmo com tanta KM, quer passar a imagem de carro novo, pouco rodado. O acabamento interno e os pneus bem surrados não condizem com a km anunciada. O carro parece ter maquiagens e revisões inacabadas, não registradas. Mas diz que é “carro em estado de novo, nada pra fazer”.
No fim das contas, eleição parece muito uma feira de carros usados.
Tem candidato com pintura nova escondendo ferrugem antiga. Tem candidato cheio de acessório, mas com documento levantando dúvida. E tem aquele que talvez não tenha a maior estrutura de marketing, mas passa confiança e a sensação de que vai ligar no dia seguinte sem deixar você parado no acostamento. Vai resolver a vida do comprador.
E aí, a pergunta continua simples: você compraria um carro usado de quem dos três pré-candidatos ao governo do RN?






