
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou a operação Camarote SUS, que investiga um suposto esquema de manipulação das filas de consultas e exames da rede pública de saúde. Segundo o órgão, os suspeitos utilizavam um cadastro falso no sistema de agendamentos do Sistema Único de Saúde (SUS) para reservar vagas e posteriormente direcioná-las a pessoas previamente escolhidas, desrespeitando a ordem regular de espera. A investigação envolve três pessoas, sendo dois servidores públicos e um empresário, além de uma empresa de assessoria em saúde. Os nomes dos investigados e da empresa não foram divulgados, assim como os cargos ocupados pelos servidores e os órgãos públicos aos quais estão vinculados. Entre os crimes apurados estão inserção de informações falsas em sistema informatizado, modificação indevida de programa de computador, corrupção, desvio de cotas públicas, ocultação de bens e associação criminosa.
De acordo com o MPRN, o esquema teria começado em 29 de agosto de 2022, quando os investigados utilizaram os dados de um paciente verdadeiro para criar um usuário falso no sistema de agendamento da saúde pública. O cadastro recebeu permissões para autorizar consultas e exames, cancelar marcações e controlar a disponibilidade de vagas. Com esse acesso, o grupo realizava agendamentos fictícios que mantinham horários ocupados por até sete dias. Posteriormente, as reservas eram canceladas para que as vagas liberadas fossem destinadas a pessoas selecionadas pelos suspeitos, permitindo que pacientes fossem atendidos antes daqueles que aguardavam regularmente na fila. Para ampliar a quantidade de horários bloqueados, os investigados também teriam utilizado programas de computador capazes de realizar agendamentos automáticos, reservando dezenas de vagas em poucos minutos.
As investigações identificaram que o usuário falso foi utilizado em pelo menos 578 operações de agendamento e autorização de atendimentos, número que não corresponde necessariamente à quantidade de pacientes beneficiados. Os acessos ao sistema foram realizados por computadores localizados em órgãos públicos, residências e na sede da empresa investigada. O Ministério Público também apura possíveis transferências bancárias entre os envolvidos para verificar se houve pagamento de valores em troca da obtenção irregular de consultas e exames. O
Durante a operação Camarote SUS, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos municípios de Natal, Extremoz, Santana do Matos e Parnamirim. A ação mobilizou quatro promotores de Justiça, dez servidores do MPRN e 16 policiais militares. As equipes apreenderam celulares, computadores e documentos que poderão contribuir para o esclarecimento dos fatos.





