Reação raivosa da Secretária de Saúde de Mossoró é cortina de fumaça para esconder escândalo da Operação Mederi contra ela e Allyson Bezerra

A tentativa de responder com agressividade ao vídeo do secretário Alexandre Mota não esconde o nervosismo que tomou conta da cúpula da Prefeitura de Mossoró. Em um vídeo marcado pelo tom raivoso, a secretária de Saúde Morgana Dantas tenta desviar o foco da realidade, mas a verdade é que sua reação desmedida parece ser puro reflexo do peso das investigações da Polícia Federal contra ela e contra o ex-prefeito Allyson Bezerra.

Em vez de responder com seriedade às críticas feitas pelo secretário de saúde do governo, a secretária investigada de Mossoró preferiu partir para o ataque desmedido. O vídeo divulgado nas redes sociais chamou atenção pelo tom agressivo, pela irritação evidente e pela tentativa de transformar um debate que deveria ser sobre gestão pública em agressão pessoal.
Mas o que realmente importa não é o tom do vídeo. O que importa é aquilo que continua sem resposta.

A população de Mossoró e do Rio Grande do Norte quer saber por que integrantes da atual gestão municipal aparecem ligados a uma das mais graves investigações sobre recursos da saúde pública já realizadas no estado. Quer saber por que a Polícia Federal bateu à porta de Allyson e Morgana, figuras centrais da administração municipal. Quer saber por que contratos, licitações e compras da saúde estão sob investigação.

A Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em contratos de fornecimento de insumos para a saúde. Segundo a própria Polícia Federal, as apurações apontam indícios de irregularidades como sobrepreço, falhas na execução contratual e possível não entrega de produtos adquiridos com dinheiro público. Foram cumpridos dezenas de mandados de busca e apreensão em diversas cidades, incluindo Mossoró. A investigação segue em andamento e caberá à Justiça estabelecer responsabilidades. Mas uma coisa já é certa: quando a Polícia Federal e a CGU mobilizam uma operação dessa dimensão para investigar contratos da saúde, a coisa é séria…

Estamos falando da saúde pública. Dinheiro da saúde significa remédio, consulta, exame, cirurgia e atendimento para quem mais precisa. Quando surgem suspeitas de desvios ou irregularidades nessa área, o prejuízo não é apenas financeiro. O prejuízo é humano. Roubar da saúde é ainda mais cruel.

Por isso, a agressividade diante das críticas não resolve o problema. O que resolve é transparência. O que resolve é prestar contas. O que resolve é explicar aos cidadãos por que uma gestão que sonha em governar todo o Rio Grande do Norte ainda precisa responder tantas perguntas sobre aquilo que aconteceu em Mossoró.

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