O governo federal renovou a cota de importação sem cobrança de impostos para veículos elétricos semimontados e desmontados, medida que passa a valer a partir de 1º de julho. A decisão permite a entrada de até US$ 463 milhões em veículos na modalidade CKD e SKD durante os próximos seis meses, com o objetivo de estimular a eletromobilidade e ampliar a oferta de modelos no mercado brasileiro.
Na prática, a medida pode ajudar a evitar aumentos nos preços dos carros elétricos vendidos no país. Acima do limite estabelecido pela cota, continuam valendo as alíquotas de 35% para veículos semimontados (SKD) e de 14% para desmontados (CKD). Já os carros importados totalmente montados seguem sem qualquer restrição de cotas.
A decisão atende, em parte, a interesses de montadoras que estão iniciando operações industriais no Brasil, como a chinesa BYD, que defende a manutenção de incentivos para ampliar a produção nacional. A empresa argumenta que a medida favorece a transição tecnológica e fortalece o mercado de veículos eletrificados.
Por outro lado, a renovação provocou forte reação da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e de montadoras tradicionais instaladas no país, como Volkswagen, Toyota, GM e Stellantis. As empresas afirmam que a medida prejudica a indústria nacional, reduz a demanda por autopeças produzidas no Brasil e pode comprometer empregos no setor.
O debate ocorre em meio ao cronograma de retomada gradual do imposto de importação para veículos eletrificados, que deverá alcançar 35% a partir de janeiro de 2027. Enquanto o governo defende a iniciativa como instrumento de inovação e descarbonização da frota brasileira, montadoras nacionais e fabricantes chinesas seguem travando uma disputa sobre o futuro da indústria automotiva no país.





