Brasil registra quase 500 mil ataques hackers no primeiro semestre de 2026

O Brasil foi o principal alvo de ataques cibernéticos na América Latina no primeiro semestre de 2026, com 487 mil tentativas de ataques DDoS, quase metade das 1,1 milhão registradas na região. Os dados são de um relatório da NETSCOUT, que analisou 209 países nas regiões da América Latina, Ásia-Pacífico, Europa, Oriente Médio e África e América do Norte. Ao todo, foram registrados mais de 9,1 milhões de ataques DDoS no mundo. Esse tipo de ofensiva, sigla para Distributed Denial of Service (Negação de Serviço Distribuída), busca sobrecarregar sites, servidores e serviços online com um volume excessivo de solicitações. Peru, Argentina, Chile e Equador também aparecem entre os cinco países mais visados da América Latina. No Brasil, o número de ataques aumentou 3,56% em relação ao semestre anterior, e a duração média das ocorrências foi de 59,31 minutos.

O setor mais afetado no país foi o de operadores de telecomunicações sem fio, exceto via satélite, com mais de 141 mil ataques. Em seguida, aparecem os serviços de hospedagem e infraestrutura de computação, com 50 mil ocorrências, e os operadores de telecomunicações com fio, com 28 mil. Já o segmento de lojas de brinquedos e jogos de hobby registrou a maior duração média entre a detecção e a solução dos ataques: 735 minutos, apesar de pouco mais de 2 mil casos. Na outra ponta, os serviços de consultoria em distribuição e logística apresentaram o menor tempo médio de resolução, de 13 minutos, em aproximadamente 2,5 mil ataques.

O levantamento também identificou mudanças no comportamento das ofensivas. Os ataques de curta duração, de um minuto ou menos, quase dobraram sua participação desde o segundo semestre de 2023. Na maioria das vezes, nos ataques, os criminosos utilizam endereços IP reais de dispositivos comprometidos para direcionar grandes volumes de tráfego malicioso contra um alvo, provocando sobrecarga nos sistemas e comprometendo a disponibilidade dos serviços.

Outra técnica que ganhou espaço foi o bombardeio massivo, cuja participação aumentou de 3,97% no semestre anterior para 4,54% no primeiro semestre de 2026. Diferentemente dos ataques concentrados em um único equipamento, essa modalidade distribui o tráfego malicioso por um bloco inteiro de endereços IP, como uma rede.

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