
Os preços do petróleo Brent atingiram, nesta quinta-feira (22), o maior nível desde maio, impulsionados por novos ataques dos houthis, grupo iemenita alinhado ao Irã, contra alvos na Arábia Saudita. Os contratos futuros do Brent avançavam US$ 3,19, ou 2,9%, chegando a US$ 112,01 por barril, após alcançarem US$ 112,68 durante o dia, maior cotação desde 18 de maio.
A escalada militar provocou medidas de segurança por parte de empresas e governos. A Saudi Aramco, gigante petrolífera saudita, orientou funcionários a deixarem sua sede em Dhahran e trabalharem remotamente, segundo seis pessoas familiarizadas com o assunto. O Departamento de Estado dos Estados Unidos também determinou a saída de alguns diplomatas e familiares de missões na Arábia Saudita e planeja retirar familiares de outras representações americanas no Oriente Médio.
As interrupções no fornecimento também atingiram outras áreas da região. A Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que quatro embarcações envolvidas em transferências ilegais de petróleo no norte do Golfo foram atingidas simultaneamente e pegaram fogo após serem rastreadas por suas forças na quarta-feira. Segundo o grupo, outras três embarcações colidiram com minas a oeste do Estreito de Ormuz. Na Líbia, uma válvula de um oleoduto que conecta os campos petrolíferos de Hamada e Tahara ao porto de Zawiya foi fechada, reduzindo a produção das duas áreas, conforme informou à Reuters o presidente da Companhia Nacional de Petróleo do país.
Diante da alta dos preços e da escassez de diesel provocada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, além dos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia, o governo do presidente Donald Trump está oferecendo emprestar quase um terço das reservas emergenciais americanas de óleo para aquecimento, que somam 1 milhão de barris, numa tentativa de conter as cotações. Na Europa, o Parlamento Europeu votou a favor de adiar por três anos a aplicação das regras da União Europeia sobre emissões de metano para importações de petróleo e gás, após pressão de governos como os da França e dos Estados Unidos. As iniciativas ocorrem em meio à preocupação internacional com a elevação dos custos da energia e os riscos de novas restrições à oferta global.





