O navio Spiridon II, que deixou Montevidéu em setembro transportando quase 3 mil bovinos destinados à engorda e reprodução, está retornando ao Uruguai depois de ser impedido de descarregar a carga na Turquia. A embarcação ficou ancorada por semanas próximo ao porto de Bandirma, sem autorização para desembarque, e deve completar a viagem de volta em dezembro.
As autoridades turcas barraram a entrada dos animais após identificarem irregularidades na identificação obrigatória de parte do rebanho. O impasse burocrático manteve o navio parado por mais de três semanas, período em que as condições a bordo se deterioraram de forma significativa. Durante a espera, grupos de proteção animal relataram superlotação, falhas de ventilação e falta de recursos básicos.
A carência de água e alimento agravou o quadro, e entidades de bem-estar animal alertam que a maior parte dos animais dificilmente sobreviverá ao trajeto. Estima-se que dezenas já tenham morrido, enquanto vacas prenhas enfrentam alto risco de aborto devido ao ambiente insalubre. Bezerros que nasceram a bordo também têm baixa chance de resistir.
O Spiridon II, construído em 1973 e já registrado com diversas deficiências estruturais, transporta uma tripulação que também atua em condições precárias e sem preparo para lidar com animais debilitados. Organizações internacionais afirmam que o caso evidencia falhas persistentes no transporte marítimo de animais vivos e defendem a proibição desse tipo de operação.






