O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado a 16 anos pelo STF por tentativa de golpe, deixou o Brasil clandestinamente em setembro, mês em que a 1ª Turma analisou o núcleo central da trama golpista. Segundo apuração da TV Globo, ele viajou de avião para Boa Vista (RR) e seguiu de carro até a fronteira, em direção à Venezuela ou à Guiana, usando um veículo alugado.
A saída ocorreu apesar de decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinava a entrega do passaporte e proibia o deputado de deixar o país. A TV Globo apurou ainda que a prisão preventiva de Ramagem já havia sido decretada de forma sigilosa, após pedido da Polícia Federal. A condenação inclui os crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Os ministros entenderam que Ramagem utilizou a estrutura da Abin, que dirigiu no governo Bolsonaro, para monitorar adversários e apoiar ataques ao sistema eleitoral. Mesmo fora do país, ele pediu à Câmara um celular com roaming internacional para participar remotamente da votação do projeto Antifacção, o que não é permitido pelas regras da Casa.
A Câmara informou que não autorizou missão oficial no exterior e que Ramagem não comunicou sua saída, apresentando apenas atestados médicos entre setembro e dezembro. A defesa do deputado afirmou que não irá comentar o caso.






