Uma denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) revelou detalhes sobre a hierarquia e o modo de operação do Comando Vermelho (CV) no Complexo da Penha. O documento foi utilizado como base para a megaoperação realizada na última terça-feira (28), que resultou em mais de 120 mortes, incluindo quatro policiais. As investigações apontam o envolvimento de dezenas de integrantes da facção em crimes de tráfico, tortura e associação criminosa.
O material inclui mensagens, áudios e registros em redes sociais atribuídos aos acusados. Segundo o MPRJ, a facção era comandada localmente por Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, e Pedro Paulo Guedes, o “Pedro Bala”. Abaixo deles atuavam Carlos Costa Neves, o “Gardenal”, e Washington César Braga da Silva, conhecido como “Grandão” ou “Síndico da Penha”. O grupo controlava escalas de trabalho, distribuição de armas e atividades de vigilância nas comunidades.
De acordo com o documento, Gardenal ostentava veículos de luxo e joias, enquanto Grandão organizava a rotina do tráfico e impunha regras de comportamento durante eventos locais. A denúncia também aponta episódios de tortura e execuções determinadas por líderes da facção contra integrantes suspeitos de desobedecer ordens ou colaborar com rivais.
Os promotores ainda relataram suspeitas de colaboração entre criminosos e policiais militares. Mensagens analisadas indicam que um major da PM teria solicitado ajuda de integrantes do CV para recuperar um carro roubado. Em nota, a corporação afirmou que a corregedoria acompanha as investigações. O MPRJ também apura possíveis esquemas de lavagem de dinheiro por meio de comércios e atividades paralelas nas comunidades controladas pela facção.






