
Um ano após a Operação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ao menos 33 dos alvos de mandados de prisão continuam foragidos. A megaoperação mobilizou cerca de 2,5 mil policiais civis e militares e terminou com 122 mortos, entre eles cinco agentes de segurança. Dos 51 alvos com ordens de prisão, 17 foram presos no dia da ação e um morreu antes da operação. Outros 82 suspeitos foram detidos em flagrante, totalizando 99 prisões. Entre os foragidos estão lideranças do Comando Vermelho, como Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso, além de Gardenal e Pedro Bala.
Após a megaoperação, os registros de tiroteios nos dois complexos diminuíram. Nos 12 meses anteriores à ação, o Instituto Fogo Cruzado contabilizou 41 ocorrências, com 12 mortos e 17 feridos. Nos 11 meses e 15 dias seguintes, foram registrados 16 tiroteios, com uma morte e um ferido, redução de 61% no número de ocorrências, apesar da diferença na duração dos períodos comparados. Dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro apontam que, em uma área mais ampla, que inclui bairros próximos às comunidades, a letalidade violenta caiu 23%, de 71 para 55 registros; os homicídios diminuíram 13%, de 39 para 34; e as mortes por intervenção de agentes do Estado passaram de sete para seis.
Apesar da redução dos indicadores, especialistas afirmam que os dados não comprovam que a ação tenha enfraquecido o Comando Vermelho ou alterado seu controle territorial. A pesquisadora Carolina Grillo, da Universidade Federal Fluminense, avalia que os efeitos precisam ser analisados para além das comunidades, já que a facção atua em diferentes regiões do estado. Segundo ela, após a saída das forças policiais, os pontos de venda de drogas voltaram a funcionar e o território permaneceu sob domínio do grupo.
Os efeitos da violência também continuam presentes na rotina dos moradores, especialmente na educação. Dados da Secretaria Municipal de Educação do Rio mostram que, no Complexo do Alemão, o número de escolas municipais que fecharam ao menos uma vez devido a operações policiais ou confrontos subiu de 25, entre outubro de 2024 e setembro de 2025, para 29 no período seguinte, aumento de 16%. Na Penha, foram 16 unidades em cada período. A Secretaria de Estado de Educação informou que os impactos sobre escolas estaduais variam conforme cada ocorrência e que as unidades são orientadas a repor conteúdos pedagógicos, seguindo protocolos de proteção e mantendo diálogo com as polícias. O caso permanece no centro do debate sobre segurança pública, letalidade policial e direitos humanos no estado.






