O advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acumulou cerca de R$ 13 bilhões em movimentações de apostas na plataforma Blaze entre janeiro de 2025 e junho de 2026, segundo documentos apresentados à Justiça e revelados pelo Metrópoles. O montante corresponde à soma sucessiva de valores apostados, ganhos e reapostados e não significa que R$ 13 bilhões tenham sido depositados pelo advogado na plataforma.
Somente em 2025, os registros da Blaze apontam aproximadamente R$ 4,8 bilhões em ganhos e R$ 4,963 bilhões em perdas em jogos de cassino, uma movimentação próxima de R$ 10 bilhões. O saldo daquele período foi negativo em R$ 163,2 milhões. Tomaz acionou a empresa na Justiça de São Paulo alegando sofrer de ludopatia e sustentando que a plataforma deveria ter adotado medidas para limitar suas apostas. A Blaze contesta as acusações.
O nome do advogado também aparece em apurações da Polícia Federal. Em agosto, Tomaz foi alvo de busca e apreensão no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas relacionadas ao esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS. A defesa afirma, porém, que ele não integra o esquema investigado e diz que a diligência em seu endereço ocorreu por causa de uma aeronave de sua propriedade utilizada pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Em outra frente, a Polícia Federal apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo movimentações em plataformas de apostas e analisa operações atribuídas a Tomaz. Reportagem publicada nesta quarta-feira (30) também revelou diálogos nos quais um funcionário da Blaze teria sugerido o uso de criptomoedas para movimentações e a flexibilização do reconhecimento facial exigido para saques. Tomaz não respondeu aos questionamentos do Metrópoles sobre esses diálogos até a publicação da reportagem.
Tomaz mantém relação de amizade com Flávio Bolsonaro e já viajou com o senador. Em janeiro de 2025, os dois retornaram juntos dos Estados Unidos ao Brasil em um Legacy 650 do qual o advogado afirma ser cotista. A existência dessa relação pessoal, por si só, não vincula Flávio às investigações sobre as apostas ou às apurações da Operação Sem Desconto.






