Allyson Bezerra, ex-prefeito de Mossoró, construiu sua imagem pública sob a imagem de um político de centro, um “bom moço” moderado que busca o equilíbrio. No entanto, ao analisar os bastidores do poder e a genealogia de sua trajetória política, essa narrativa começa a ruir. O que se vê, na verdade, é um político cujas as sustentações estão na direita bolsonarista, revelando uma postura enganadora, pois tenta a todo custo passar a imagem de que não comunga dos ideais de direita, e distante da honestidade política que prega.
Apesar de hoje aparecerem distantes, Allyson mantém um histórico de proximidade e articulação com o senador Rogério Marinho (PL), que foi ministro do Desenvolvimento Regional no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele é o principal nome do bolsonarismo no Rio Grande do Norte. Desmascarar essa ligação é importante para dar substância à compreensão de quem Allyson realmente representa no cenário potiguar. Enquanto o ex-prefeito tenta se desvincular de rótulos ideológicos para atrair o eleitorado médio, sua trajetória é moldada e impulsionada pelas mãos de grandes expoentes da direita no Rio Grande do Norte.

Além de encontros com Marinho, Allyson também já foi visto com outras destacadas lideranças do bolsonarismo local e nacional, a exemplo do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele também já posou ao lado do ex-ministro-chefe da Casa Civil no Governo Bolsonaro, entre agosto de 2021 e dezembro de 2022, Ciro Nogueira, que foi alvo de mandados de busca e apreensão no último dia 7 de maio, durante a 5ª fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, em uma investigação de suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo Banco Master. Operação esta que agora chegou ao pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro.
Mesmo com o discurso de ser uma opção nova, um gestor com ideias modernas, Allyson desconstrói seu próprio personagem ao se aliar a figurões conhecidos da velha política potiguar, como os ex-governadores José Agripino Maia e Robinson Faria, esse último responsável por deixar o Estado em uma situação financeira delicada, inclusive com quatro folhas salariais atrasadas. Robinson é figura importante e presente na campanha atual do ex-prefeito de Mossoró, mas Allyson faz questão de esconder ele e os demais oligarcas do seu palanque, pois sabe que a rejeição do povo a essas figuras é enorme.
Allyson alvo da PF
Outro ponto que desmonta o castelo de areia que o ex-prefeito de Mossoró tenta construir sobre sua imagem, é a operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) em janeiro de 2026, e que tem Allyson como um dos alvos de investigação. A ação apura um esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em licitações na área da saúde no RN.
Gastos com a própria imagem
Os predicados de Allyson como gestor também mostram que na sua administração, o então prefeito de Mossoró esteve muito preocupado com sua própria imagem, a ponto de gastar 353% a mais em eventos e publicidade do que em serviços básicos no ano de 2025. Os dados são de um relatório da Integrativa Assessorias e Formações, que apontam que entre os exercícios de 2021 e 2025, Bezerra gastou em eventos e publicidade a soma de R$ 146,3 milhões, enquanto os investimentos em áreas essenciais totalizaram R$ 79,7 milhões.
Mais ligações com a direita
Além de tudo isso, a lista de parceiros da direita bolsonarista do Rio Grande do Norte segue com registros de Allyson ao lado de parlamentares fiéis ao ex-presidente, como o deputado estadual Coronel Azevedo e o deputado federal General Girão. Todos esses são conhecidos por sua atuação incisiva na defesa de pautas conservadoras e por sua lealdade ao clã Bolsonaro, com Marinho sendo o principal nome potiguar nesse campo político, atuando hoje como o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República.
Apesar de não figurarem no mesmo palanque, Allyson, Rogério, Girão e Azevedo mantêm uma comunhão de ideias e interesses que não representam o anseio da população que mais precisa de políticas públicas para superar as desigualdades sociais que enfrentamos no Brasil e no Rio Grande do Norte.
Portanto, a tentativa de Allyson Bezerra de se pintar como uma figura de centro e moderada é confrontada pela realidade de seus apoios. É necessário desmascarar esse personagem, para dar ao eleitor a oportunidade de compreender que, por trás do sorriso de “bom moço”, existe um projeto político alinhado a uma direita que ele evita assumir publicamente.






